Encontro acolhe casais que perderam seus bebês.

Alguns bebês são efêmeros na vida dos pais. Podem acontecer perdas. Pensando no acolhimento destes pais que, por alguma intercorrência, tenham perdido seus filhos, a doula Isabel Cristina dos Santos, a psicóloga Renata Duailibi e a musicoterapeuta Ana Maria Lana criaram um espaço para que esta dor possa ser elaborada. Será no sábado, dia 21 de março. Se você viveu perda semelhante e quer participar,  envie uma mensagem para o email isabellotus@yahoo.com.br.

 Veja a mensagem encaminhada pela doula Isabel Cristina:

"É tão difícil falar sobre, mas é preciso abraçar essas famílias. 
"Por que os bebês se vão mesmo antes de chegar? Ou quando chegam ficam tão pouco?
Acompanhar esse desfecho sem se envolver é algo, extremamente, delicado.
Ter tal oportunidade de ter nos braços esse 'anjinho', que não esta mais entre nós, fisicamente, falando, mas que em Essência vibra somente o desejo de tê-lo de volta.
Ver o quanto pode ser doloroso, mas 'encantador', por tamanho amor.
Agora, somente, agora me cai essa ficha... tive você em meus braços, seu corpinho já inerte, mas que emanava tanto amor.
Emanava calor, ainda que frio.
Como posso sentir isso?
Como posso senti-lo com tanta intensidade?
Se 'existe' Deus, Ele está nessa hora.
Ele representa esse momento, tão doloroso e, ao mesmo tempo tão sublime.
A dor quis dilacerar-me, mas olhei para seu rostinho, tão pequenino, tão delicado, teu corpinho e, não pude, não pude deixar de encantar-me por você.
De vê-lo, de senti-lo, de segurá-lo, fortemente, em meus braços.
Acho que ainda não consigo ser imparcial, que ainda preciso aprender muito com tantas outras mulheres-casais para ser além da 'dor'.
Deus como é forte, como é intenso.
Só agora, me permiti sentir, chorar, chorar...
Chorar um choro de dor, de encantamento, de desilusão, enfim... as lágrimas rolam soltas, livres, sem pudor, sem revolta.
Estava anestesiada ou fora de mim?
Afaguei tua fronte, senti teu cheirinho - tão marcante, tão seu - tão meu, e, após longo tempo tive que deixá-lo, tive que soltar-me de ti.
Como aprendo com tantas famílias.
Meu respeito, admiração, reverência a todas as mulheres-casais que passaram, que estam passando e que, infelizmente, passarão por tal vivência a 'perda' de seu bebê, tão desejado, amado. 
Não, não me digam que não devo chorar, pois ainda poderei ter outros.
Não, não me digam que dos males o melhor, que eu me salvei...
Não, não me digam...
Deixem-me chorar essa dor, esse luto, pois em Essência, independente do tempo, esse bebê esteve comigo, esteve em meus sonhos, visitou-me no meu dia a dia.
Então, não me diga para não chorar, para não viver esse luto. Pois, é esse mesmo luto que me fará, não sei em que tempo-momento, superar, 'virar a página'.
Ele bebê vive, vive em Essência, no ar que respiro, no nascer do sol, no por do sol.
Curvo-me em silêncio e respeito a esse casal que honrou-me com esse abraço caloroso, num nascimento digno, respeitoso ao filho amado que partiu antes mesmo de estar conosco. 
Bebê fique em paz, nos braços de Deus, assim como tua família'"