Beatriz (Ana Paula e Bruno)

No dia 04.09.18 chegamos a DPP e nem sinal de Beatriz querer sair da barriga da mamãe, esperou pacientemente a chegada de todos os avós, sem nenhuma manifestação. Eu me sentia muito bem, engordei apenas 9 quilos durante a gestação, continuei frequentando as aulas de hidro e ioga que tanto me ajudaram durante todo o período gestacional. A cada ultrassom e consulta com o Dr. Sandro a ansiedade e expectativa aumentavam. O trabalho na Defensoria enfim estava em dia e o quartinho dela praticamente pronto, só faltando pequenos detalhes.

No dia 06.09.18 comecei a perder o tampão mucoso, sem qualquer outro sinal de trabalho de parto. No feriado de sete de setembro conversei com a Bia que não seria muito legal nascer no feriado e ela entendeu, mas logo no início da noite comecei a sentir dores na lombar e uma pequena cólica cada vez mais forte e constante; praticamente não dormi, mas não estavam ritmadas, pensei, será que estou entrando em trabalho de parto? Pela manhã, ao acordar, todas as dores haviam passado, então segui a vida, fui na aula de hidro e fazer a unha, pensando em estar bonita para o dia que receberia Bia. Ao chegar em casa consegui dormir a tarde toda, mas a noite foi chegando e as dores pioraram: fortes cólicas, dores na lombar de 10 em 10 minutos e não conseguia achar qualquer posição para ficar. Baixei o aplicativo das contrações e comecei a marcar. Elas foram se intensificando, então falei com o Dr. Sandro que me orientou a ir à Maternidade Santa Fé para ser examinada. Em razão das constantes dores, que já vinham mais ritmadas, tinha certeza que estava entrando em trabalho de parto, SÓ QUE NÃO, eram os tais pródomos (contrações de treinamento), colo do útero ainda fechado e apenas 1 a 2 cm de dilatação. Confesso que fiquei bem decepcionada e pensei: se isso são falsas contrações imagine as verdadeiras? Não iria suportar... Tomei buscopan na veia e voltei para casa; tentei dormir, mas praticamente não consegui, pois as dores com o efeito do remédio me deram muito mal-estar e vomitei diversas vezes. No dia seguinte estava um pouco melhor, procurei descansar o dia todo, porém, praticamente não consegui me alimentar, fiquei fraca, mas consegui dormir um pouco durante a tarde.

A partir das 04:00 da manhã da segunda-feira dia 10.09.18 as cólicas e dores na lombar voltaram com força total, já estava exausta, já não dormia quase nada há 3 dias, além de ter me alimentado muito pouco por conta dos enjoos. Última ultrassonografia com o Dr. Paulo marcada, cheguei lá me contorcendo toda, mais uma vez balde de água fria, pois ele me disse que a Bia estava tranquilona, sem previsão de querer sair, ainda na posição cefálica, porém, oblíqua, isto é, não encaixada. Saí de lá para a consulta com o Dr. Sandro decidida a pedir uma indução ou até uma cesárea, uma vez que se isso tudo que estava sentindo ainda eram contrações de treinamento, definitivamente não queria passar pelo trabalho de parto.

Ao chegar na consulta, as contrações se intensificaram, vinham exatamente como ondas e na mesma medida que vinham, iam embora como se nada tivesse acontecido rsrs. O Dr. Sandro, com sua calma e tranquilidade de sempre, me examinou e disse “show de bola” Ana, você está em trabalho de parto, quase 4 cm de dilatação, já pode internar se quiser, ufaaaaa, aí sim, minhas forças se renovaram e respirei fundo, comecei a lembrar de tudo que me preparei para esse dia. Fui para casa, tomei um banho, liguei para minha doula espetacular, Rosana Cupertino, que tinha voltado de um Congresso em São Paulo naquele dia e, apesar de já ter me avisado que se eu entrasse em trabalho de parto naquela semana seria atendida pela Juliene, ao perceber meu estado de tensão e cansaço, foi até a minha casa com Juliene e as duas me preparam completamente para enfrentar o dia e a noite mais exaustivos e maravilhosos da minha vida!

Tive o privilégio de ter duas doulas, Rosana e Juliane, que me acalmaram, me deram força e me lembraram de tudo o que sou capaz. Recebi acupuntura, massagens, técnicas para que a Bia saísse da posição oblíqua, palavras de força e coragem e muito amor e paz, tudo isso no conforto do meu lar, com o apoio incondicional do marido Bruno. Resolvemos então ir para a maternidade por volta das 19:30, só que, ao entrar no elevador do prédio, que por sinal estava cheio, minha bolsa estourou; disfarcei, voltei para casa para trocar de calça e saímos. Nunca um caminho foi tão longo, trânsito, contrações e jogo do Galo – Maternidade perto do Estádio do Atlético - nenhum lugar para estacionar o carro, tive que entrar na maternidade sozinha. O Dr. Sandro já havia reservado a PPP e fui direto para lá. A Dra. Alessandra me examinou, 6 centímetros, estávamos indo bem; Juliane, minha doula chegou e enfim o Bruno, depois de demorar a conseguir estacionar o carro e resolver a burocracia da internação. 

Daí em diante seguimos com tudo que já havia me preparado muito bem, sabia tudo que ia acontecer e não saí do controle em nenhum momento; aliás, talvez tenha sido só essa minha real dificuldade, de me entregar ao trabalho de parto. Eu estava preparada e feliz que tudo aquilo estava acontecendo para receber minha filha, porém racionalizei demais e em razão das contrações de treinamento dos dias anteriores estava cansada e sem muitas forças. Usei e abusei de todos os métodos de alívio da dor, a banheira me relaxou demais, porém, ainda assim, não encontrava posição para ficar, seja qual fosse o local. A playlist que preparamos tocou o tempo todo. O trabalho de parto evoluiu muito bem até os 8 cm de dilatação, quando então paralisou, porém as contrações e desconfortos não; eu estava prestes a entrar na tal “partolandia”, mas não conseguia, algo me travava e não me deixava relaxar, apesar de saber tudo que tinha que fazer - relaxar, respirar, sentir, entregar -, mas quem disse que conseguia? Meu marido Bruno foi excepcional, mesmo cansado, preocupado comigo e com a Beatriz, ficou o tempo todo ao meu lado, me dando força, carinho e não me deixando desistir. Juliane me apoiando em tudo e sempre preocupada com o meu bem-estar, alimentação e conforto. Dr. Sandro a todo momento nos monitorando e fazendo todo o possível para que Bia viesse ao mundo da forma mais humanizada possível.

Claro que nesse momento pensamos em tudo, principalmente em acabar logo com aquilo, no momento da contração queria desistir de tudo, mas logo que ela passava recobrava as forças e me mantinha no plano, uma vez que de fato elas vêm como ondas e assim que passam nem parece que vieram.

Porém, quando vi que já se aproximava da 01:30 da manhã e desde as 22:00 horas tinha estacionado nos 8 cm de dilatação, me rendi a analgesia, sempre com a devida orientação do Dr. Sandro. Eu estava muito resistente a ela, me decepcionei comigo quando decidi ir para o bloco tomar, mas o Dr. Sandro, mais uma vez com sua calma e experiência me tranquilizou e me mostrou que em alguns casos ela ajuda e deve ser considerada a nosso favor. Assim, essa foi a melhor decisão que tomei naquele momento, precisava relaxar e não estava conseguindo; foi como um milagre o que uma pequena dose fez comigo, no momento certo. Voltei para o quarto às 02:30 e daí por diante tudo fluiu, logo após a analgesia alcancei os 10 cm de dilatação, passei a ter novamente plena consciência do meu corpo e da Beatriz, consegui comer e interagir com as pessoas em minha volta e assim consegui relaxar e trazer Beatriz ao mundo às 3:35, no banquinho, com o papai atrás, segurando firme na minha mão, nos dando força e muito amor. O Dr. Sandro, com muito cuidado, a colocou na minha barriga (cordão curto, não deu para ela ficar perto do peito) e nós ficamos ali, contemplando aquele momento maravilhoso e mágico, em que você percebe que nada foi em vão, tudo vale a pena, cada esforço, mal-estar e até as dores sentidas foram necessárias para que Beatriz viesse ao mundo do jeito que sonhamos, na hora dela, com o menor número de intervenções possíveis. Naquele momento só sentimos alegria e gratidão, por aquele serzinho lindo, olhando para você e reconhecendo sua voz e cheiro, sem chorar. Ficamos ali por volta de 10 minutos até o cordão parar de pulsar e Bruno cortá-lo.

 

 

Beatriz nasceu com apagar 9/9. Placenta logo em seguida. Laceração grau 1, todos os exames ou testes feitos pela pediatra, foram com nossa pequena o tempo todo no meu colo ou do papai. Mamou na primeira hora de vida e não precisou de qualquer intervenção médica.

Sou muito agradecida a Deus por poder ter passado, junto com o Bruno, por essa experiência de vida. Não quero romantizar ou esquecer qualquer sofrimento pelo qual passei, não é fácil, tanto que se chama TRABALHO DE PARTO, é trabalhoso, cansativo, por vezes exaustivo, mas o corpo e a natureza são muito sábios, e com a ajuda da medicina então, posso dizer que tudo foi perfeito, dentro do que era para ser.

 

Gratidão eterna à equipe que nos ajudou no nascimento da Beatriz:

Obstetras: Dr. Sandro Ribeiro, Dra. Maria Alice e Dra. Alessandra – Núcleo Bem Nascer. Sem palavras para descrever Dr. Sandro, desde a primeira consulta tivemos a certeza de que ele era o “cara” rsrs, falava a nossa língua, sem contar que a cada consulta e listas de dúvidas a serem respondidas, nos apaixonávamos mais pelo seu jeitinho calmo, alegre, acolhedor, paciente e ao mesmo tempo, seguro e firme. Obrigada de coração por tudo, desde o pré-natal, o parto e o pós-parto (em que dei mais trabalho do que durante a gestação kkk).

Doulas: Rosana Cupertino e Juliene Xavier. Lindas!!! Já falei bastante delas, mas repito, nada seria como foi sem a participação de vocês. Rosana desde as aulas de ioga, palestras, reuniões, todos os nossos encontros me fortaleceram e me tornaram a mulher que sou hoje. Juliene foi excepcional me acompanhando em todo o trabalho de parto, foi a primeira a chegar e a última a ir embora! Obrigada por tudo meninas!

Fisioterapeuta: Natália – Clínica Sabrina Baracho. Essencial para o trabalho de parto e para a vida! Natália sempre fofa, com muita paciência e calma, me orientando e esclarecendo sobre consciência corporal, períneo, posturas, atividades físicas, massagens e muito mais.

Ioga: Professora Rosana e companheiras de aula gravidinhas – muito obrigada pela companhia, aprendizado e principalmente, pelas boas energias e paz que me trouxeram. Sat Nam!

Participar do grupo de gestantes e das rodas da Família Bem Nascer foi a base de todo conhecimento adquirido para que eu fizesse as escolhas que fiz, acreditasse em mim, no meu corpo, e fundamental para ter o apoio do meu marido. Parabéns por esse trabalho lindo que vocês fazem, pela acolhida, pelas informações, por tudo!!!

Agradecimento especial ao meu marido Bruno, que no início, assim como eu, temia o tal “parto humanizado”, porém, sempre me apoiou seja qual fosse a decisão. Pensávamos porque não fazer o “normal” ou cesárea agendada? Tão mais simples, sem “sofrimento”. Mas estudamos, nos preparamos juntos e descobrimos o quão bom era participarmos ativamente do nascimento da Beatriz, sem deixar que outras pessoas tomassem qualquer decisão por nós, poderíamos sim escolher tomar analgesia, fazer uma cesariana, desde que fosse nossa escolha, conscientes de que seria o melhor para gente. Tenho certeza que essa experiência do parto, nos enriqueceu como seres humanos e nos fortaleceu como casal e parceiros de vida. O puerpério também não é fácil e o apoio do Bruno está sendo fundamental nesse momento.

Agradeço também o apoio incondicional da nossa família, vovós e amigos que, embora preocupados com a gente, sempre nos apoiaram em qualquer de nossas decisões, torcendo e rezando para que tudo desse certo. E deu!!  

Com Amor e Gratidão, Ana Paula Bruno e Beatriz.