Filippa ( Geórgia e Guilherme)

Uoowww... palavras escritas deveriam ter som. Ele sairia gutural, certamente. Na quinta dia 7 de junho fomos a "Maternidade" , consultar com doutora Avelina para avaliar o colo, fazer exame de cardiotocofrafia e optamos também por fazer o descolamento da bolsa. Afinal, 41 semanas e dois dias, já estava na hora. A ideia inicial era que se não evoluísse, faríamos a indução no dia 8 de junho. Descolamento realizado com sucesso, um pouco de dor, bem tolerável. Expectativa a mil esperando a primeira contração. Bom, saímos do hospital e resolvemos ir jantar já que ficar em casa não ia adiantar nada. Fomos a um restaurante próximo de casa, comemos e bebemos (eu somente água) até altas horas. Fui ao banheiro diversas vezes, algumas delas apresentei algum tipo de sangramento, outras não, mas algo bem discreto. Não podia deixar de tomar meu último sorvete de pistache, mas jamais imaginando que seria o último antes da minha pequena nascer. Fomos pra casa, tomei um banho rápido e fui deitar. As 1h30 da manhã tive a primeira contração. Uma contração dolorosa, mas nada demais. Serviu apenas para me deixar bem animada e alegre por pensar que estava entrando em trabalho de parto. Logo em seguida vieram outras contratações espaçadas em torno de 30 minutos porém não imaginava que fosse evoluir. Às 3h53 da manhã resolvi abrir o aplicativo e começar a registrar. Claro que isso não era o que a Dra Avelina tinha recomendado, mas não me aguentei de ansiedade. Comecei a registrar as contrações e vi que ela mantinha espaçamento apesar das dores estarem vindo mais fortes. As 5:13 da manhã chamei o meu marido e disse a ele que estava começando a marcar no aplicativo. Ele também disse que não era pra marcar e que eu devia dormir. Ok. Parei de marcar até 6:45 quando senti que a intensidade da dor já me fazia levantar da cama e me posicionar de 4 apoios. Voltei a marcar. As 7:35 enviei uma mensagem pra Dra Avelina dizendo que já estava com contrações espaçadas de 8 em 8 min. O que pensei: já vou avisar pra que ela programe o dia. Ela me respondeu assim: “só uma dica: não se preocupe em registrar ainda... toque seu dia normalmente, caminhe, fique no chuveiro, alimente-se e relaxe”. Surreal. Ri na hora, pra não chorar. Fiquei pensando naquilo... já estava marcando há muito tempo, a dor já estava mega intensa. Como tocar meu dia normalmente? Liguei. Conversamos por telefone e fomos interrompidas por uma contração. Liguei pra Sabrina pra dar notícias e receber apoio. Às 9:48 enviei mensagem pra médica dizendo que estávamos indo pro Santafé. Disse ao Gui: “não quero saber, já não aguento mais. Quero ir para o hospitalizado agora.” Tomei um banho, me arrumei e fomos: Gui, minha mãe e eu. Meu Deus. Dores surreais no banco de trás do carro agarrada na mão da minha mãe, o tens ligado na alta desde às 6:45 hs da manhã. Devo ter colocado no máximo nessa hora. Chegamos no hospital, entrei e só pensava que queria minha médica. Ela ainda não tinha chegado. Eu quase entrei em pânico. Após algumas burocracias, fui atendida pela Dra. Alessandra do Núcleo Bem Nascer que me pediu para deitar na maca. Mediu o útero (uma pausa: medir o útero pra quê meu Deus. Que diferença ia fazer naquela hora? Eu em plena contração. Mas ok!), PA, ouviu o coraçãozinho e quando fez o toque me disse: “você está com 9,5 para 10 de dilatação.” Nesse momento, fui no céu e voltei. Desejava estar pelo menos com 6, 7 cm de dilatação, mas nunca imaginava 9,5. A sensação foi maravilhosa, mesmo em meio à tanta dor. Me preparei muito para viver as sensações e aceitá-las. Vieram mais contrações, medo, ansiedade e várias perguntas. Como seria meu parto? Tudo que eu mais desejei era pelo menos entrar em trabalho de parto. E estava ali! Quanta bênção. Não idealizei em nenhum momento a via de parto. Queira que fosse dentro da normalidade e que preservasse minha vida e da minha filha. Estava pronta para o que viesse. Claro que ansiosa, curiosa e apreensiva. Mas entreguei nas mãos de Deus e da Dra Avelina pra o que viesse. Conversamos muito disso antes. E foi exatamente porque confiei nela, que me entreguei. Bom, tomei uma dose de antibiótico em pé mesmo no bloco. Não conseguia me deitar nem me sentar. Era muita dor. Muuuita. Principalmente no reto. Foi o que mais me incomodou em todo trabalho de parto. A médica chegou no hospital logo em seguida, subimos pra suíte de parto. Entrei no elevador e mais uma contração. Foi à loucura, mas já estava mais segura porque estava com a médica, o Gui e minha mãe comigo. Só pensava que estava com 9,5 cm de dilatação. Foquei nisso. Foi o que me deu forças pra continuar seguindo sem tomar anestesia. Cheguei na sala de parto e a sala estava escura, a banheira cheia, fui direto pro chuveiro quente. Tirei o TENS, o Gui ficou me massageando nas costas, algumas contrações no chuveiro e pedi pra colocar música e acender as velas. Tinha feito uma playlist de músicas para o meu trabalho de parto e me senti mais em casa e segura quando ela começou a tocar. Do chuveiro, fui pra banheira. Ela estava quentinha. Foi deliciosa a sensação. A enfermeira Patrícia foi um anjo em todos os momentos. Ela que preparou a suíte de parto pra mim. Pedi ao Gui para entrar na banheira comigo e sentar na beirada. Ele me abraçou e massageou por todo o tempo. Como isso aliviava a dor e me dava mais confiança. Um “tamo junto”. Foi perfeito. No momento que eu senti mais uma contração, pensei que fosse a hora. Mas ainda não era. Estava com muita vontade de evacuar e não deu pra segurar. Morri de vergonha. Mas, fazer o quê! Acontece e aconteceu justo comigo. A partir daí, fui para o banquinho de parto. Levantei e sentei algumas vezes. Lembrei da minha querida fisioterapeuta Mariana: “não fique sentada no banquinho esperando a próxima contração. Levanta.” Foi o que eu fiz. Dra Avelina ia me dando segurança e suporte sentada no chão bem na minha frente, aguardando o momento. Velas, lanterna, celular... todos direcionados para meu períneo. Mamãe estava na sala fotografando e filmando alguns momentos. Mais uma contração bem forte e deu muita vontade de fazer força. Iniciei uma força e a médica me disse: “olha que gracinha, ela é cabeludinha. Coloca a mão pra você sentir”. Coloquei a mão e senti a cabecinha da minha filha. Que sensação deliciosa e bizarra ao mesmo tempo. Na próxima contração eu perguntei olhando nos olhos da médica: “posso fazer força?” E ela me respondeu que sim. Inspirei fazendo a força e senti a bebê coroando, círculo de fogo, uma queimação no períneo e minha filha nasceu.

Sem cortes, sem remédios, sem intervenções. Tive laceração grau 1. Não acreditei. A dor acabou naquele momento. Como mágica. É inacreditável.

 

Dra Avelina me entregou meu maior presente. Ela foi abraçada por 4 mãos ao mesmo tempo (meu marido e eu) e cruzou as mãozinhas em oração parando de chorar. Foi mágico esse momento. Quando o cordão parou de pulsar, o Gui cortou emocionado. Minutos depois coloquei-a no meu peito e aí começou outra história de amor fora do ventre. Gratidão é a palavra que caracteriza toda essa vivência.