Théo(Fernanda e Daniel)

 

Cesárea anterior, 38 semanas e cinco dias fui a uma consulta no dia 11/07, estava com 2 cm de dilatação e colo favorável, foi feito o descolamento de membranas, e no caminho de casa começaram as  contrações com cólicas. Fui orientada a entrar em contato com o médico e voltar caso as contrações se mantivessem por cerca de uma hora de dez em dez minutos. O hospital em BH fica a cerca de uma hora e dez sem imprevistos da minha casa, moramos em uma cidade vizinha.

Passei na minha sogra, jantei uma canjiquinha.Chegamos em casa por volta de 20h30min da noite, comecei a monitorar as contrações que já estavam ritmadas de dez em dez minutos. Meu marido Daniel ia sair para trabalhar a meia noite e estaria de volta às oito e meia da manhã. Tomei um banho e um tempo depois elas perderam ritmo. Com muito medo o liberei pra ir. 

Dormi bem, e acordei às 06h30min com uma contração mais forte, comecei a cronometrar, elas estavam de dez em dez. Era impossível dormir, mas possível suportar. Avisei o Daniel por mensagem, e o tranquilizei porque daria tempo de chegar.

Levantei tomei um café arrumei algumas coisas e acabei de organizar a bolsa. Avisei Dr Sandro, que disse que poderia ir encontrá-lo no hospital da Unimed, porém tomei um banho e elas espaçaram novamente. Avisei o médico, que aguardaria. Daniel chegou, (ufa).. Fui pagar uns boletos pela internet, devido as contrações demorei cerca de duas horas para pagar quatro boletos, rs. Os padrinhos vieram em casa e buscaram meu filho de três anos e meio.

Daniel estava com uma inflamação na vista e consulta marcada às onze e meia em um oftalmologista na minha cidade. Dez horas contrações de dez em dez novamente, pedi que ele descesse e verificasse a possibilidade de ser atendido naquela hora, devido a situação. E que se a coisa apertasse ligaria pra ele. Conseguiu atendimento, e assim que saiu de lá, me ligou, eu disse a ele que estavam de sete em sete minutos, sendo assim, pediu que ligasse para o médico, que já estava chegando em casa. 

Médico avisado, tudo combinado. Resolvi almoçar, e em seguida fomos buscar minha mãe. Chegamos no hospital da Unimed por volta de 14hrs. Primeira avaliação 4 cm. Médico liberou e disse para caminhar. 

Saímos a procura de um hotel na região. Andamos cerca de uma hora. E quando chegamos ao local indicado era uma pensão bem simples, e o banheiro era coletivo.  Como queria ficar a vontade e estava com muita dor, não fechamos .

Continuamos a procura, mais uma hora e meia de caminhada, muita dor, que me faziam parar, e nada de hotel. Pegamos o carro, mais uns minutos e enfim. Estávamos na porta do hotel, Daniel fechou o valor. 

Eu parei, não desci do carro, com medo, eram 18 h as contrações estavam a cada três minutos e beeem fortes. Falei para o marido: e se eu subir e a coisa apertar ainda mais, vamos ter que sair, não vou aguentar. Resolvemos ligar para o médico e passamos a situação. Ele disse, com toda sua calma e serenidade de sempre: os intervalos já estão curtos, não se preocupe mais tanto com a questão de tempo. Mas avalia e observa se não vem a vontade de fazer força. Enquanto estiver bem, (com todas as orientações que já tinha) pode aguardar. Se vier a vontade de fazer força desce para o hospital, você está a menos de cinco minutos dele.

Então subimos, entrei para aquele maravilhoso chuveiro. Daniel desceu para buscar as bolsas, eu não saí do chuveiro enquanto ele não voltou, (muito medo da vontade de fazer força) .

Contrações já vinham a cada dois minutos e duravam um minuto. Eu não agachava e movimentava, pois tinha medo de parir ali, tinha uma bola de Pilates no carro, que não saiu de lá.

Estava com muita fome, desce marido para tentar subir refeições pra gente, do restaurante, mas era só relatar a história que já se sensibilizavam. Chega ele com as marmitas e ao comer uma mandioquinha o estômago revira. Comi chocolate, barra de cereal, água de coco e o que tinha na reta.

Mãe tomou banho, marido também, voltei para o chuveiro, alívio. Suporto até às 20 h quando resolvemos ir para o hospital.  Chegando lá com dores muito fortes e ao avaliar ainda estava com 5 cm, não disfarcei minha cara de decepção. Prosseguimos na internação e o médico tentando me animar, que estava ótimo que era isso mesmo, e que evoluímos bem. Eu queria chorar. Ele me ofereceu analgesia e disse que só tiraria minha dor e me daria liberdade pra movimentar, se resolvesse era só pedir, eu segui com o que queria e sonhei, o parto natural.

Subimos para suíte e lá chegando fui para o banquinho debaixo do chuveiro. Água nas costas e um alívio tremendo, principalmente de saber que ali estava de certa forma segura. Fiquei assim um bom tempo, até me sentir abafada, resolvi sair e ir para bola exercitar. Fiquei um pouco e depois passei para banheira onde o médico orientou aproveitar a contração e fazer força. Marido veio pra perto me dava a mão na hora da contração, segurava minha nuca e me lembrava de respirar devagar, e eu fazia a força, assim ficamos, o médico vinha nos dava força, incentivava e escutávamos o coraçãozinho do bebê, o que nos animava ainda mais. Toque permitido por volta das dez, 6 cm.

 

Meia noite 7 cm, a bolsa estourou estava na banheira, e nem percebi. As contrações ficaram punks e eu comecei a procurar outras posições, bola chuveiro, mas nada aliviava. 

A contração vinha me pendura no pescoço do marido e fazia força. Fiz isso até debaixo do chuveiro, deixei ele ensopado de jeans e tênis. No chuveiro já não queria o banco, apenas me apoiar nele e fazer força para ver se o expulsivo chegava. Uma hora da manhã oito cm.

Eu chorava e implorava, pedia a Deus.  Passei a pedir analgesia. Daniel me dava força e dizia faltar pouco, já tinha aguentado tanto, ele completava. Mas eu disse a ele: "Sei que eu te falei, não ceda se eu te pedir, apenas me dê forças, mas estou consciente e muito cansada, já não consigo controlar a respiração e a força, estou fraca." 

Nesse momento ele saiu e foi chamar o médico. Ele entrou no quarto, fez novo toque e mostrou para meu marido a cabecinha do bebê ao me pedir para fazer força. Depois de conversar e confirmar comigo, chamou o anestesista.

Assim que liberada pelo médico após anestesia, levantei e comecei a caminhar, nas contratações abaixava e fazia força. Depois de um tempo assim, a vontade de fazer força não vinha e começou a me bater um desespero, as contrações passaram a ficar um pouco doloridas e me deu medo que aquela dor voltasse. Minha mãe, com câimbras cansada demais fisicamente e de ver meu sofrimento saiu dali auxiliada pela enfermeira e foi para uma sala ao lado dormir e descansar.

Eram duas e meia e eu comecei a achar que não era capaz, que algo podia estar errado. Mas Dr Sandro com toda paciência dizia que estávamos indo muito bem e no tempo certo, que meu parto anterior foi uma cesárea. Que nada estava errado e ao ouvir seu coração novamente ganhei forcas me movimentei novamente e a vontade de fazer chegou. Ufaaaa, enfim!

Feliz da vida continuei. Marido segurando o soro. E eu movimentando. Começaram a arrumar o banquinho e o Dr Renato também do Núcleo Bem Nascer chegou para auxiliar. Nos posicionamos e eles nos explicaram o que devíamos fazer, eu e o papai Daniel. 

Não sentia muito nitidamente as contrações, mas a vontade de fazer força. Tentei a primeira, de maneira errada. Tentei a segunda errado de novo. Na terceira, não o suficiente. Desespero bate, eu choro. Dr Sandro oferece de tocar e sentir a cabeça do bebê, aceito e ao tocar dou um grito de emoção! Dr Renato oferece um fundo musical, e é ao som de Nando Reis, às 3h40min que vem, trazendo uma sensação única de alívio, um amor imensurável, escorrega até nossos braços, quente, úmido e batizando o papai com um jato forte de xixi. Aquele que veio para completar a nossa família. Théo.

Papai que tinha receio e disse que não cortaria, cortou o cordão posando pra foto. Ele que foi melhor que qualquer doula, pariu comigo, trouxe ao mundo um pedacinho de nós! A minha mãe, guerreira, companheira da caminhada, Dr Sandro e Dr Renato, essenciais em todos os momentos. E a toda equipe envolvida. obrigada!